Crônicas
Tecido de mentiras
2022-08-22 17:20:56

Muitas vezes fico me perguntando, e o faço com muita tristeza, o que se pode apreciar de prazer num desfile de moto por uma cidade como São Paulo, numa verdadeira festa, quando quase de 500 mil pessoas foram vítimas do Covid? Concluo com tristeza.  Negacionista, em verdade, não são eles, que tomam cloroquina, adoram aglomeração, não usam máscara, são contra a vacina. Negacionistas somos nós que não reagimos a esse estado de coisas. A bem da verdade, Bolsonaro vem fazendo sua campanha à reeleição com esse “tecido de mentiras”, frase de Ingmar Bergman, relembrada por... não me lembro quem.  Cinicamente, em meio a tantas famílias sofrendo, o presidente ordenou “a um tal de Queiroga” a elaborar um parecer para desobrigar vacinados e recuperados de usar máscaras. Declaração que humilha um ministro seu, perante toda a nação, que, em nome da vaidade, se submete a essa situação quase repugnante.  Ali Bolsonaro estava mostrando a ponta do punhal para o “tal Queiroga”. Um serviçal médico que se sujeita a tudo e passa um exemplo desairoso para a população. O que dirá para seus filhos, o médico? O que registrou para história essa chaleira ou lambe botas, como diria Marilene no resgate da linguagem do passado? Aliás, vale lembrar de um ditado antigo da Grécia Antiga : “Mais fere a língua do adulador do que a espada do perseguidor”.

O   governo é feito assim, de ameaças, truculência, mentiras, gestos e palavreado tosco.  Pior: os devotos presentes às manifestações não só acreditam no milagre, como aplaudem os embustes de um autêntico Mussolini em festas. Durante a ditadura militar, que vivi com intensidade, pude presenciar cenas parecidas, mas não com tanta intensidade do presidente de plantão. Que me lembro bem, Médici era o mais festivo, assim como sua mulher.  Aliás, isso faz escola. Outro dia assisti a um deputado estadual chamado capitão Assunção, que, a pretexto de criticar a cobrança de IPTU, classificou, sem qualquer pudor e covardemente, o prefeito Victor de “ordinário e covarde”. O que é uma agressão passível, claro, no mínimo de processo criminal. Esse é o ambiente criado e que o proselitismo adora. Alguns órgãos de imprensa sentem orgasmo com isso.  Quando, em verdade, estamos projetando o país para uma barbárie.  Sim, estou convencido, negacionista somos nós que não reagimos. Como lamento. E falo e escrevo. Triste trópicos.

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